CEOQ

Central de Agendamento / Marcação:
Tel: (77)3262-3100 / Whatsapp (77) 98102-6620


ceoq@ceoq.com.br

Patologias Oculares

Conjuntivite

20 de Julho 2016
É a inflamação da conjuntiva – parte branca do olho. Existem vários tipos de conjuntivite: viral, bacteriana, alérgica, traumática, tóxica, química, entre outras.

O que é conjuntivite?

A conjuntivite consiste na inflamação da conjuntiva ocular, membrana transparente e fina que reveste a parte frontal dos olhos e o interior das pálpebras. O calor, o suor e o tempo seco criam uma condição favorável para o aparecimento e disseminação da doença; mas segundo o Ministério da Saúde, apesar da inflamação acontecer mais frequentemente durante o verão, são registrados casos em todas as épocas do ano.

Com a função de produzir muco para proteger e lubrificar a superfície do globo ocular, a conjuntiva possui pequenos vasos sanguíneos em sua estrutura. Caso ela se irrite ou inflame, esses vasos sanguíneos que a abastecem, alargam-se e tornam-se maiores, provocando a vermelhidão do olho.

A conjuntivite pode ser aguda ou crônica, afetar somente um dos olhos ou os dois e durar uma semana ou mais, dependendo do caso. Além disso, pode ter origem infecciosa (contagiosa), alérgica ou mesmo ser resultado de exposição a algum agente tóxico e irritante. Quando infecciosa, o contágio pode ser feito pelo contato direto com a pessoa doente, objetos contaminados e compartilhados em ambientes públicos como piscinas e veículos. Seja qual for a causa, evite se automedicar e sempre busque a ajuda de um oftalmologista.

Causas da conjuntivite

A conjuntivite pode ser causada por reações alérgicas a poluentes ou substâncias irritantes como poluição, fumaça, cloro de piscinas, fungos, vírus e bactérias. A mais comum é a viral, já que pode ser transmitida pelo espirro ou pela tosse e causar infecção por meio do contato com essas secreções.

Sintomas mais comuns da conjuntivite

Geralmente, o aspecto vermelho dos olhos é parecido, seja qual for o tipo de conjuntivite apresentada. Uma maneira de identificar qual é a forma que a doença está se manifestando no paciente, é observar alguns fatores, como a ausência ou não de secreção e suas respectivas características. Em caso de alergia ou irritação causada por produtos químicos e tóxicos, por exemplo, a secreção costuma ser clara e pegajosa. Na conjuntivite viral (infeciosa), há mais lacrimejamento que secreção, além da formação de uma espécie de membrana na pálpebra, dificultando a visão. Já no caso de uma conjuntivite bacteriana, o lacrimejamento dá lugar a uma secreção com pus, e a visão permanece praticamente inalterada. Alguns outros sintomas mais específicos de cada tipo de manifestação ajudarão a diferenciá-los, como veremos melhor a seguir.

Tipos de conjuntivite

Conjuntivite infecciosa

Pode ser transmitida por vírus, bactérias e até fungos. Das existentes é a que recebe mais atenção dos centros de saúde, já que pode ser extremamente contagiosa, sendo responsável por provocar epidemias da doença.

Conjuntivite viral

Esta é mais frequente e pode ser causada por um tipo de vírus especialmente resistente (o adenovírus), ou ainda ser transmitida por um enterovirus (que geralmente provoca a conjuntivite do tipo hemorrágica). Nesse tipo de manifestação, além da vermelhidão e do inchaço característico, há a sensação de areia ou corpo estranho; e um constante lacrimejamento. O contágio é mais comum em escolas, ambientes de trabalho e locais públicos – geralmente fechados e de contato entre muitas pessoas. O diagnóstico é feito através da observação das características típicas da doença, podendo levar até duas semanas para desaparecer. Raramente deixam sequelas ou comprometem a visão. O tratamento deve ser indicado pelo médico oftalmologista, e costuma ser feito à base de compressas de água fria, colírios lubrificantes e, caso necessário, de vasoconstritor tópico, ou seja, medicamentos que ajudam a desobstruir o processo de contração dos  vasos sanguíneos como as artérias, veias e capilares.

Conjuntivite bacteriana

Na conjuntivite bacteriana, a secreção e o inchaço são mais intensos e há mais purulência (ajuntamento de pus). Dura em média uma semana. A doença também traz os olhos vermelhos como um dos sintomas, mas nesse caso o lacrimejamento não é tão frequente. Geralmente são causadas por bactérias da espécie Streptococcus pneumoniae, Staphylococcus aureus e Haemophilus influenzae.

Existe também um tipo de conjuntivite, chamada gonocócica, que é causada pela bactéria Neisseria gonorrhoeae, sexualmente transmissível (DST). Afeta mais os recém-nascidos, que contraem da mãe no momento do parto. Por esse motivo, alguns países exigem a aplicação de colírios próprios ou de pomadas antibióticas, logo após o nascimento do bebê, para eliminar possíveis bactérias causadoras da doença. Os adultos podem contrair conjuntivite gonocócica durante a atividade sexual quando, por exemplo, o sêmen infectado atinge o olho. Há então a formação intensa de pus, sensação de areia nos olhos, inchaço e dor que, se não tratados, podem provocar úlceras de córnea ou outros males, e comprometer gravemente o globo ocular, levando inclusive a cegueira. É recomendável o acompanhamento médico especializado, que poderá prescrever medicamentos e tratamentos adequados ao quadro.

Conjuntivite de inclusão

Há ainda a conjuntivite de inclusão, causada pela bactéria Chlamydia trachomatis, que possui uma duração maior. Afeta os recém-nascidos, que podem ser infectados pela mãe, quando passam pela vagina durante o parto normal, ou em adultos sexualmente ativos, infectados por secreções genitais que contenham a bactéria. Conhecida também como “tracoma”, esse tipo de conjuntivite pode ser tratada com antibióticos prescritos por um especialista, exceto em casos mais graves, que precisam de tratamento médico mais intenso.

Conjuntivite fúngica e outras

A conjuntivite fúngica, bem mais rara, acontece quando uma pessoa é acidentada com madeira nos olhos ou utiliza lente de contato em más condições. Em geral é uma inflamação associada à córnea, tecido que tem a infecção por fungos, facilitada devido à falta de vascularização (fluxo sanguíneo). Um tipo também incomum é a conjuntivite parasitária, que é ocasionada por vermes (oncocercose, loíase, teníase ou leishmaniose), que são casos normalmente secundários a infestações desse tipo; e são transmitidos à conjuntiva dos olhos por via sanguínea. Outro tipo muito raro é a conjuntivite gerada por larvas de mosca (miíase ocular), normalmente depositadas diretamente na conjuntiva, principalmente em pacientes debilitados, que correm o risco até mesmo de terem os tecidos da região ocular destruídos devido a agressividade da doença.

Conjuntivite alérgica

A conjuntivite alérgica (que não é contagiosa) é a forma mais comum de alergia ocular. É muito comum na época da primavera, tempo em que há maior quantidade de pólen no ar, e também em períodos mais secos, em que ocorre um aumento significativo da quantidade de pó e ácaros –  fatores responsáveis pela ocorrência da doença. Costuma ser frequente em pessoas propensas a alergias e problemas respiratórios (como rinite, asma e bronquite). Esse tipo de conjuntivite geralmente se manifesta nos dois olhos, mas não afeta regiões mais profundas, como a córnea. Dentre os sintomas comuns, são observados coceira e dor nos olhos, aumento da secreção, inchaço, sensação de areia nos olhos e hipersensibilidade à luz.  A vermelhidão e o lacrimejamento não são tão proeminentes quanto nos outros tipos de conjuntivite, mas podem vir a aparecer.

A conjuntivite alérgica pode ser diagnosticada através de uma observação completa dos olhos, além de exames auxiliares de avaliação da conjuntiva e dos tecidos que a rodeiam. Por poder ter períodos de melhoras e reincidências, é importante sempre descobrir a sua causa. O tempo de duração é variável e, para o tratamento, é indispensável, além da ingestão de medicamentos prescritos por um profissional da saúde (em geral anti-histamínicos), evitar coçar os olhos e afastar-se do agente que provoca alergia (alérgeno), que além dos citados, podem ser também maquiagem, perfume e até pelo de animais.

Outro problema de saúde relacionado a fatores alérgicos é a conjuntivite papilar gigante, que é sobretudo causada pela intolerância ao uso de lentes de contato. Os agentes causadores da reação alérgica podem ser as próprias lentes, ou produtos de higienização, proteínas e resíduos que aderem ao objeto. Usualmente apresenta coceira, sensação de corpo estranho, fotofobia, lágrimas abundantes, vermelhidão localizada e papilas (bolinhas brancas) nas pálpebras. Essa reação alérgica é muito comum em pessoas que não cuidam bem das lentes, não as tiram para dormir ou ainda nas que usam esses dispositivos ópticos de má procedência.

O tratamento da conjuntivite papilar gigante ou conjuntivite alérgica ao uso de lentes de contato varia com a gravidade do processo, mas seu objetivo sempre é reduzir os sintomas e evitar o dano de tecidos, para que o paciente volte a usar as lentes com conforto. Em casos mais complicados, o especialista pode indicar até mesmo a suspensão do uso da lente.

Conjuntivite tóxica

A conjuntivite tóxica tem como fator desencadeador o contato direto com algum agente tóxico. Colírios, produtos de higiene, filtro solar, bronzeador, fumaça de cigarro, poluentes industriais, maquiagens, cloro e tintas para cabelo são elementos responsáveis pelo aparecimento da doença.

Frequente no verão, os principais sintomas da conjuntivite tóxica são coceira, olhos vermelhos, pálpebras inchadas, sensibilidade à luz e lacrimejamento aquoso e transparente. A pessoa com conjuntivite tóxica deve se afastar do agente causador imediatamente e lavar os olhos com água abundante e limpa. Em casos em que os agentes medicamentosos estejam causando a conjuntivite, este deve ser suspenso, sempre com orientação médica.

Diagnóstico e exames

Para diagnosticar a causa e o tipo de conjuntivite, é indicado sempre procurar ajuda do serviço de saúde, em especial de um oftalmologista, para efetuar uma análise mais apurada da situação e indicar a solução mais apropriada, pois várias doenças oftalmológicas, que podem não ser conjuntivite, tem como principal sintoma, os olhos vermelhos. Além disso, será necessária a avaliação precisa do médico, que através do exame clínico poderá fazer a distinção entre conjuntivite viral, alérgica ou bacteriana, que será importante não só no tratamento, mas também na indicação de afastamento temporário da escola ou do trabalho.

Tratamentos e cuidados

O tratamento da conjuntivite é estabelecido conforme a causa da doença. Pode ser feito com o uso de remédios em forma de colírio, pomada ou comprimidos, ou ainda soro fisiológico gelado e compressas sobre as pálpebras, além de limpar os olhos com frequência para aliviar os sintomas. Para a conjuntivite viral não existem medicamentos específicos, como já explicado. Já a conjuntivite bacteriana pode ser medicada com antibióticos tópicos ou orais. Porém, qualquer tipo de tratamento para conjuntivite deve ser feito sob orientação de um médico, para evitar agravar ainda mais o quadro. Caso a doença surja no adulto, é recomendado a consulta com um oftalmologista, e por um pediatra no caso de conjuntivite infantil.

Recomendações e prevenção

Busque sempre evitar o uso de objetos de uso comum, como telefone, controle remoto, sabonete, toalhas, óculos, maquiagem ou mesmo medicamentos tópicos, pois aumentam as chances de contaminação nos casos infecciosos. O cuidado mais intenso com a higiene pessoal, como lavar as mãos com frequência e higienizar adequadamente toalhas e roupas de cama também ajuda na prevenção. Nunca se automedique, pois só o médico saberá quais remédios e cuidados trarão mais benefícios para o quadro.

Prognóstico – convivendo com a doença

A maioria das conjuntivites apresentam melhora em cerca de 7 dias. As conjuntivites químicas podem durar até um mês, caso não seja reconhecido o agente causador. A conjuntivite bacteriana requer colírios antibióticos, que se ingerido corretamente melhora a vermelhidão nos olhos dentro de poucos dias. A maior parte dos casos de conjuntivites virais ou bacterianas não complicadas são curadas sem causar problemas permanentes aos olhos.